Fernanda Bertin
Fernanda Bertin

5 bares de vinho em Montevidéu

07 de março de 2020
Eu QueroLugares Pela América do Sul

Degustar uma taça de um bom vinho, sair com os amigos, procurar aconselhamento profissional ou provar rótulos selecionados são algumas das muitas razões para visitar um (ou todos) dos cinco bares de vinho que existem hoje em Montevidéu. Localizados em diferentes áreas da cidade, podem render uma experiência atraente e diferente.

Cada um tem sua peculiaridade, mas em comum o calor e o objetivo de proporcionar ao cliente um momento especial. Isso está expresso nas críticas que os turistas e o público local divulgam através das redes sociais, colocando-os acima das quatro estrelas no Facebook, Google e TripAdvisor, três dos sites mais consultados no Uruguai e no mundo hoje.

Montevideo Wine Experience Piedras 300 esquina Colón, Montevidéu

É o “mais antigo” dos bares de vinho de Montevidéu e pode ser considerado o precursor dessa nova tendência. Foi instalado em 2015 em um dos principais pontos turísticos da capital: o Mercado del Puerto. Nicolás Cappellini, seu proprietário, e Liber Pisciottano, seu sommelier, recebem o público local e estrangeiro com a maior dedicação e grande paixão pelo vinho nacional. Intimista, existe um grande balcão em frente a uma lousa manuscrita na qual se destacam a palavra “Tannat” e a frase “In wine we trust”.

Oferece uma enorme variedade de rótulos de vinhos nacionais cuidadosamente selecionados que podem ser consumidos em taça ou garrafa. “Tudo o que está aqui é porque gostamos e achamos que é uma boa relação custo / benefício”, diz Cappellini.

Também pode-se escolher por degustações com rótulos alternados regularmente. Elas se diferem por Reserva, Premium e o tipo de vinho entre branco, rosé ou tinto. O local também oferece coquetéis – principalmente a base de vinho e, em menor grau, com algum destilado que visa qualidade e exclusividade – bebidas sem álcool e algumas cervejas artesanais específicas para “não deixar ninguém de fora do grupo”.

A clientela varia entre os que passeiam pelo Mercado del Puerto ou passam por ali casualmente até os que vão exclusivamente ao bar, independentemente do horário do mercado. “Trabalhamos muito com o boca a boca, tentamos fazer com que todos os clientes se sintam à vontade e que seja uma boa experiência para eles. Isso gera a recomendação, e quem chega recomendado sabe que vai ser uma experiência agradável”, enfatiza Capellini. 

A maioria das pessoas pede sugestões. Assim, os especialistas tentam conhecer suas preferências e recomendar o que lhes convém. “Felizmente, os clientes confiam muito em nós”, dizem os proprietários. “Quando alguém está interessado em um vinho, tentamos contar a ele suas características e nosso sentimento com ele. Conhecemos os produtos que trabalhamos por dentro. Conversamos muito com os produtores, o que nos permite contar a parte do vinho que não é vista”, completam.

BocaNegra Vinos y Tapas  – Ellauri 303, esquina García Cortina, Montevidéu

É um bar de vinhos desconstruído, com autoatendimento dinâmico, localizado em um dos circuitos hoteleiros mais importantes da capital. Com excelente ambiente, oferece centenas de rótulos, dos quais 60% são nacionais, 30% da região e o restante de outras partes do mundo.

Eles chegaram ao Uruguai para romper com vários padrões, em junho de 2016. Com suas inovadoras “enomatics”, máquinas de distribuição de vinho que preservam o produto em excelentes condições, onde os consumidores escolhem o que querem tomar. São 24 rótulos, servidos em diferentes quantidades (degustação, meia taça ou taça completa).

As opções são alternadas regularmente, divididos entre vinhos brancos e roses (geralmente compostos por quatro nacionais e quatro importados), vinhos tintos de médio porte (cinco e três) e vinhos tintos de primeira linha (quase sempre compostos por seis opções locais e dois importados).

O sistema de autoatendimento também é aplicado na oferta gastronômica, consiste essencialmente em petiscos, onde cada cliente escolhe e retira no balcão, e em seguida, paga no caixa pelo valor consumido.

Essa dinâmica foi proposital: “Gosto muito que as pessoas estejam circulando”, diz Patricio Mateos, um dos proprietários, que busca com essas decisões desconstruir o vinho. “Estou interessado em levar o vinho para um lugar no mundo das bebidas como algo social e tirar solenidade. Que o consumo de vinho não é apenas para um segmento”, completa Mateos.

75% das pessoas que passam pelo BocaNegra são turistas que procuram vinho uruguaio e são mais incentivados a consumir produtos sofisticados do que o público local. “Sempre quisemos alcançar um público estrangeiro, mais aberto e disposto a experimentar e levar garrafas. Fico feliz porque espalhamos vinhos uruguaios em todos os lugares”, diz Mateos satisfeito.

Funciona de segunda a sexta-feira, das 12h às 24h, com públicos de perfis bem diferentes. Os turistas não possuem horários específicos, diferentemente da maioria dos clientes locais, que variam entre 20h e 24h. Para surpresa de Mateos, o conceito de after office, muito comum em diferentes partes do mundo, é difícil de impor no Uruguai.

Barolo Wine Bar– Av Alfredo Arocena 2098, Montevidéu

Com a inauguração do Barolo, se instalava uma opção gastronômica de excelência dentro de um bar de vinhos. Tudo ocorreu porque seu proprietário, Daniel Castiglioni, junto de sua família é dono do restaurante Fellini e do bar OHM, que integram um complexo gastronômico ao bar de vinhos e compartilham com ele a cozinha e o cardápio.

Mas, não é o único endosso do Barolo: a magia deste canto rústico e elegante de Carrasco, está na ampla seleção de vinhos e na excelente atenção de seus sommeliers. A casa oferece mais de 100 rótulos, dos quais 50% são nacionais e os outros 50% estão associados à empresa de importação Grand Cru. A seleção local, com muito cuidado, tem como característica qualidade e exclusividade.

Nas palavras de Castiglioni: “gostamos de pequenas vinícolas, que produzem alguns vinhos raros, ou grandes, com produtos que não são encontrados em grandes lojas”.

Com uma capacidade média para 20 pessoas, é muito difícil não se sentir confortável na atmosfera acolhedora e cuidadosamente “rústica” do local. O Barolo é definido como um espaço para o cliente aprender, perguntar e se informar sobre o rótulo escolhido. 

No ambiente, os que ali trabalham buscam promover o bate-papo e abre-se em média de quatro a cinco vinhos diferentes por semana, vendidos por taça que geram muito interesse para a degustação. O foco da casa está nos vinhos nacionais, na divulgação de suas histórias e na promoção do enoturismo.

Quatro vezes ao mês realizam jantares harmonizados, com temas como a variedade da uva, país ou vinícola. São realizadas às quintas-feiras e tentam sempre ter “alguns mimos diferentes” para as aproximadamente 15 pessoas que apreciam um menu de quatro etapas e uma conversa agradável e íntima, geralmente com os protagonistas dos vinhos.

Daniel confessa que o projeto do Barolo tem muito a ver consigo e sua história. Além de 40 anos de experiência em restaurantes, Castiglioni cresceu em uma adega. “Eu estava sempre ligado ao vinho. Meu pai, enólogo, estava muito envolvido na conversão do vinho e eu tinha 20 anos na adega com ele. Sempre fiz coisas com vinho e, principalmente, com o nacional.”, completa.

Os fundadores do local estão muito entusiasmados com o relacionamento que construíram com seus clientes e com o bom impacto do boca a boca, que também se reflete nas redes em que possuem 5,0 pontos no Facebook e 4,5 em TripAdvisor.

Madirán Almacén de Vinos– Chaná 2120, Montevidéu

Dentro do circuito gastronômico do Mercado Ferrando, há o Madirán, um pequeno espaço decorado de garrafas de vinho nacional, um convidativo balcão e uma lousa muito agradável que oferece as taças do dia.

Depois do bar Lucas Pérez Varsi, um de seus fundadores espera compartilhar sua paixão com muitos jovens que ousam quebrar o plano clássico e acompanhar suas refeições com um vinho uruguaio.

O Madirán chegou a Montevidéu, junto ao Mercado Ferrando, em novembro de 2017. O projeto desse espaço especial, que funciona como um bar de vinhos, surgiu entre colegas que estudavam a carreira de sommelier em Fundaquim, entre os quais Lucas estava.

O Madirán oferece 70 marcas nacionais de 19 vinícolas diferentes, que podem ser consumidas lá ou ser levadas para viagem. Para os vinhos em taça existem sete rótulos alternados periodicamente (atualmente consiste em três vinhos brancos, três tintos jovens e um rosé). A ideia de vender vinho em taça é poder associá-lo a uma das muitas opções gastronômicas do mercado.

O consumo em taça é o principal produto vendido no turno da noite e nos finais de semana, quando o mercado recebe mais pessoas e principalmente jovens – público alvo do local. Segundo Lucas, a ideia é educar o paladar do público jovem para que seja incentivado a experimentar coisas novas e, embora o carro chefe do mercado seja a cerveja artesanal, pouco a pouco os jovens se animam, se aproximam, consultam, aprendem e provam novos vinhos.

“Acontece muito dos clientes não conhecerem os vinhos que temos. Uvas que não sabiam que existiam ou que são produzidos no Uruguai. Surpreendem-se com Albariño, Gewürztraminer, Marselan e Cabernet Franc “, reforça Pérez Varsi.

O local tem um público fiel, que vão frequentemente ou já são “amigos do lugar”, muitos deles vizinhos do bairro e muitos outros que curtem o burburinho que se mistura com o restante da cena gastronômico. O Madirán possui no Facebook uma classificação de 5.0 estrelas.

Teluria Vinoteca – Cuareim 1359 esquina 18 de julio, Montevidéu

Em um imenso e imponente reciclado porão sob a livraria Puro Verso na rua Cuareim 1359, esquina com avenida 18 de julho está o Teluria, um novo projeto de bar de vinhos que inclui uma extensão da livraria, onde também há uma variedade de títulos gastronômicos, turismo e vinhos.

Entre altos muros de pedra e muitos metros quadrados, o Teluria possui um estilo rústico que distingue os espaços. Na entrada, um grande balcão e com a grande oferta de garrafas por de trás delas, se vê um espaço para mesas e passando-o, existe uma confortável sala de estar, que parece ideal para compartilhar uma bebida de maneira descontraída e apreciar a excelente seleção musical que invade o ambiente.

A sommelier e escrivã Adriana Criado, em parceria com Puro Verso, é quem toca esse ambicioso projeto. A seleção dos rótulos correspondeu a Criado e é composta por 85% de vinhos de origem nacional, 10% da região e 5% do resto do mundo.

A vinoteca Teluria oferece a possibilidade de consumir qualquer uma dessas garrafas ali mesmo ou beber vinhos em taças de rótulos que mudam semanalmente.  Já estão planejadas degustações com vinícolas e diversas atividades, incluindo apresentações de livros e eventos que combinam música com vinho.

No momento, a oferta é de vinhos e cafés, mas está prevista a oferta de mesas de queijos, frios e empanadas como acompanhamento. Como Adriana nos contou, esse projeto surgiu de sua preocupação em sair da rotina da notaria e que, quando a oportunidade se apresentou, ela aproveitou para desenvolver sua paixão pelo vinho. “Sempre quis fazer outra coisa, a oportunidade se apresentou e, quando me propuseram, aproveitei. Você tem que estar na hora certa e no lugar certo”, diz Adriana.

O mais jovem dos bares de vinho de Montevidéu pretende ser um espaço de relaxamento e aprendizado para moradores e turistas, que de segunda a sexta-feira das 10h às 20h e aos sábados das 10h às 14h, podem aprender um pouco mais sobre os vinhos no coração da capital.


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