Amigos Lugares Pelo Mundo
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5 motivos para viajar sozinha

12 de março de 2018
Eu Vivo
Por Cléo Audi

Depois de 27 anos e quase 30 países na bagagem, virei uma grande fã das viagens solo. Incentivo quem aparecer na frente a sair por aí sozinho e explorar ao máximo cada cantinho do mundo. Principalmente as mulheres, que ainda se sentem mais inseguras. Faço campanha para mostrar que viajar sozinha é uma delícia. E nada muito complicado. Me emociono toda vez que uma amiga me conta que fará isso pela primeira vez. Separei  5 motivos para te inspirar a viajar nas próximas férias sem depender de ninguém:

  • Fazer o que tiver vontade e na hora que der vontade

A única coisa que interessa é o que você está a fim de fazer. Quer acordar cedo e aproveitar todas as atrações da cidade? Sem problema, nenhum amigo enrolará e atrasará seus planos. Prefere acordar tarde depois de badalar a noite toda? Ninguém vai buzinar no seu ouvido e resmungar que não estão aproveitando a viagem. Você ama passar horas em palácios descobrindo sobre as pessoas que moraram ali em séculos passados, mas não gosta de visitar museus de arte ou igrejas? Você não é obrigada a nada e pode passar quanto tempo quiser onde quiser. Quer mudar os planos e conhecer aquela cidadezinha linda que o australiano do hostel falou que era imperdível? Não terá ninguém para te impedir ou que tenha que convencer. A sensação de liberdade é enorme. E você não vai perder tempo discutindo com outra pessoa ou fazendo o que não gosta.

  • Se descobrir cada dia mais

É um pouco clichê dizer que você viaja sozinha para se descobrir. Mas clichês nunca deixam de ser verdade. Não há clichê maior que Paris, por exemplo. Mas é um lugar incrível que vale a pena mesmo para quem não é muito do mainstream. Primeiro que, como você que escolhe os destinos e em que irá gastar seu dinheiro, vai percebendo a cada dia quais lugares e experiências te fazem mais feliz.

Por exemplo, você pode achar as grandes capitais europeias bem bacanas. Mas é na primeira cidadezinha do interior, rodeada de montanhas e lagos, que percebe que seu negócio mesmo é natureza e cidade pequena. O que vai influenciar suas decisões de roteiro nas próximas viagens. Segundo, ninguém te conhece, o que te dá a liberdade de ser quem quiser sem julgamentos ou ideias preconcebidas. É uma oportunidade para descobrir como se sente em um lugar tão diferente e ter a oportunidade de conhecer e gostar de coisas novas.

  • Conhecer pessoas do mundo inteiro o tempo todo

Essa é uma das minhas partes preferidas em qualquer viagem. Não há coisa melhor do que dividir um quarto com oito ou dez pessoas em um hostel. Obviamente não tem muita privacidade e é normal sentir falta de um cantinho só seu. Mas é um ótimo jeito de conhecer pessoas. E se tiver vergonha de puxar assunto, vai com vergonha mesmo, só não deixe passar a oportunidade.

Viajar sozinha é se abrir para conhecer gente nova, com histórias incríveis, engraçadas e até absurdas; é saber mais sobre outras culturas, crenças e tradições; é se impressionar e perceber que tem muita gente boa nesse mundo – mas muita mesmo. As pessoas são uma das melhores partes da viagem. E não são apenas histórias maravilhosas e aprendizados que você ganha com isso. Às vezes são amizades para a vida toda – que inclusive vão abrir a casa para te receber em uma próxima viagem – ou então um amor eterno que dura apenas dois dias, mas é tão intenso que ficará guardado com carinho para o resto da vida. Isso não quer dizer que não tem gente chata ou inconveniente no caminho, mas são tão poucas que não é preciso se preocupar.

Acredito que viajar sozinha é ter mais coragem e motivação para se abrir a pessoas novas e desenvolver seu lado extrovertido. Viajar a dois ou com amigos é se bastar neles, o que pode diminuir bastante o esforço – ou mesmo a vontade – de sair batendo papo com desconhecidos.

  • Aprender a lidar com os perrengues sozinha

Não importa o quanto você planeje sua viagem nos mínimos detalhes, não tem como fugir de perrengues. Nunca temos controle de tudo e imprevistos acabam acontecendo. Às vezes você pega o ônibus errado por falta de informação na rodoviária. Ou perde o avião por causa do trânsito. Sua mala não chega na esteira de bagagem e bate aquele desespero ou você se perde num lugar que ninguém fala sua língua. O hostel é muito pior do que você imaginava, o cadeado da mala emperra te deixando sem roupas nos próximos dias ou a rodinha quebra e há uma ladeira enorme na sua frente, ou então uma atração que sempre sonhou conhecer está fechada depois de duas horas de viagem, etc.

Qualquer coisa pode acontecer. E no momento que dá errado você está sozinha em um lugar desconhecido e vai ter que achar uma solução. E a parte linda do perrengue é que vai dar seus pulos e resolver qualquer que seja o problema. Aí que você percebe que é muito mais independente do que pensava e que sabe se virar sem precisar de ninguém.

  • Aprender a conviver com você mesma

Não sei vocês, mas tem dias que nem eu me aguento. Minha voz me irrita e tudo o que eu falo parece chato. Viajar sozinha é ter mais paciência com a gente mesma. Entender que está tudo bem fazer as coisas sem ninguém do lado. Seja sair pra jantar, ir num bar, conhecer a cidade, bater perna, visitar museus, pegar um trem, carregar mala, esperar o voo… É aprender a ficar menos ansiosa com a própria companhia, se escutar mais e gostar mais de si mesma. É entender que ter uma pessoa do lado é delicioso, mas que a gente tem que se bastar. Seja pra se divertir, pra não fazer nada, pra sair por aí ou pro que for.

 

Viajar sozinha é o seu momento. É sobre você com você mesma, sobre suas prioridades e sobre descobrir o que realmente gosta de fazer. E por isso vicia tanto, você faz aquilo que te faz sentir bem. Viajar sozinha é descobrir aquilo que te inspira e que te move. E a vida toda é tão mais deliciosa depois que você encontra quem você é no mundo e o que te faz feliz que, pelo menos pra mim, não tem decisão melhor do que sair por aí no seu próprio ritmo e na sua própria companhia.

Obviamente muitos desses itens se aplicam a pessoas que viajam em grupo ou em casal. Mas quando você está sozinha vive isso mais intensamente. E não significa que estar sozinha não tenha suas desvantagens também. Sim, há momentos solitários ou que você gostaria de compartilhar com outra pessoa, ou quando passa por um perrengue difícil de resolver.

E também não significa que não é maravilhoso viajar com outra pessoa

Mas acredito com todo o meu ser que viajar sozinha – ou sozinho – é uma experiência que tem que ser vivenciada pelo menos uma vez na vida. É algo que te faz crescer como pessoa, que te ensina a ter mais empatia e a se colocar no lugar dos outros. É aprender que por mais que as pessoas sejam muito diferentes e de culturas diversas, elas se identificam umas com as outras e têm objetivos e olhares comuns sobre a vida. Viajar sozinha é abrir os olhos e o coração para cada cantinho desse nosso mundo imenso.

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  1. Vera Gebrim   •   09/03/18   •   12h03

    Cléo, maravilhoso o seu texto. Empolgante, encorajador, sedutor.
    Amei. Muito. Em todos os sentidos.
    Me deu muita vontade de viajar sozinha, pela primeira vez, agora, já… aos sessenta anos.
    Parabéns, linda!

  2. Sonia   •   20/07/18   •   17h17

    Parabéns… adorei este texto inspirador, viajei pela primeira vez com 53 anos, meu primeiro vôo Internacional. E como passamos por sufoco, mais no final dá tudo certo.
    Só fica às lembranças dos micos e do sufuco e não tem como não cair nas gargalhadas.

  3. Sonia   •   20/07/18   •   17h18

    Parabéns… adorei este texto inspirador, viajei pela primeira vez com 53 anos, meu primeiro vôo Internacional. E como passamos por sufoco, mais no final dá tudo certo.
    Só fica às lembranças dos micos e dos sufucos e não tem, como não cair nas gargalhadas.