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Aprendizados da estrada

12 de abril de 2018
Eu Compartilho
Por Vinicius Pereira

Acredito que existem diversos tipos de aprendizados que podemos ter em nossas vidas, que vêm em muitos formatos. Aliás, aprender é parte primordial do nosso processo evolutivo, é o que buscamos a cada momento. Contudo, cada um aprende a seu próprio modo. Sendo assim, é com felicidade que temos a certeza que existem inúmeras possibilidades de se aprender. Dessa maneira, posso afirmar que a minha favorita é viajando.

Quando viajo busco entender ao máximo as pessoas locais. Observo. Converso. Ouço. Compartilho. E assim me expando, cresço.

Pois bem, lá estava eu nas minhas andanças pela América do Sul. Como bom mochileiro que sou, estava viajando de ônibus. Viagem longa, do Equador até a fronteira com o Peru.

Meu ônibus estava abarrotado. Quando fui comprar a passagem em Guayaquil já não tinha mais lugar. Quando percebi já estava chorando, eu realmente precisava ir naquele ônibus. Por fim consegui dar meu jeitinho brasileiro (e sul americano) e embarquei em um lugar improvisado atrás dos bancos, ao lado do banheiro. Sabia que certamente passaria perrengue nas próximas 7 ou 8 horas.

Aqui começava a lição

Mal eu sabia que esse percurso seria talvez a parte mais importante da minha viagem. No ônibus estavam cerca de 20 venezuelanos. Homens, mulheres, crianças de diferentes idades. Curioso que sou, comecei a puxar papo. Descobri que estavam emigrando para o Peru. Explicaram da situação difícil que enfrentavam na Venezuela e que deixaram a família para trás para buscar uma vida melhor.

A minha lição já tinha começado. Presenciar famílias inteiras largando suas casas, seus trabalhos, suas vidas. Abandonar seu sotaques, os lugares que mais gostam de ir, toda sua rotina, pois precisam e anseiam algo melhor. Imagino que não deve ser nada fácil, e há que ter muita coragem. Mas lá iam eles, fortes, juntos.

Após algumas horas de viagem eles começam a sacar comida das mochilas. Todos. Absolutamente TODOS estavam compartilhando o pouco que tinham. Com humilde e simplicidade genuína, havia ali amor e cuidado que poderiam ser vistos nessa ajuda, mesmo com pouca comida, havia solidariedade e empatia. Não apenas entre eles havia essa cumplicidade, mas até eu fui incluso na partilha.

Impressionante como um momento tão simples e despretensioso pode ser o ápice da sua viagem. Foi uma experiência muito triste e bonita ao mesmo tempo. Que me ensinava de forma tão sutil e ao mesmo tempo agressiva, a força da união e da resiliência.

O ônibus chegou ao destino. Nos despedimos. Fui reflexivo. Já era uma pessoa diferente daquela que havia embarcado, afinal a estrada havia me dado valiosos aprendizados. Me senti parte de algo maior. Havia aprendido mais sobre o outro, logo, aprendi mais sobre mim.

 

 

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