Suzane Hammer
Suzane Hammer

Carnaval de Veneza: máscaras e segredos

06 de fevereiro de 2019
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Mundialmente famosa e considerada como uma das mais belas cidades do mundo, Veneza é também um dos destinos mais visitados, principalmente por casais apaixonados.

Difícil imaginar que essa fascinante cidade, um museu à céu aberto e importante capítulo da história da Humanidade que é tão pequena, de ruas estreitas com casas e palácios que parecem que pararam no tempo, tenha sido construída sobre milhares de pilares de madeira de 2 a 7 metros de comprimento.

Você deve estar se perguntando… “Como assim!?”

Há mais de 1000 anos esses pilares sustentam uma das mais lindas cidades do mundo. São 177 canais, 118 ilhas, 400 pontes e muita história.

Graças a uma técnica bastante  ousada e revolucionária para a época (ano 421), a madeira, material bastante abundante na região, foi transformada em estacas, ou “tolpi” como eram chamadas, e fincadas profundamente no solo, surgindo assim a base para a construção de dezenas de casas, palácios, igrejas e praças que sustentam a pequena Veneza até hoje.

Claro que com a ajuda da natureza! Elementos naturais da  Era Glacial (de mais de 18.000 anos atrás) como o ‘caranto’, que é uma camada rica em cálcio existente na região da Laguna de Veneza, contribuiu para a solidificação das estacas  e sustentação das obras primas venezianas.

Graças a essa grande engenhosidade que manteve a cidade viva até hoje, todos os anos, durante 10 dias, a cidade se transforma em um cenário de teatro, comédia, drama, sofisticação e glamour revivendo a nobreza dos séculos XVII e XVIII.

Carnaval de Veneza

Essa famosa festa, bem diferente do nosso carnaval brasileiro, tem como característica retratar o estilo de vida dos nobres dos séculos 17 e 18 ou modelos apresentados pelos personagens da Commedia Dell’Arte . Arlequins, pierrôs, e colombinas até hoje desfilam pela cidade em coloridos trajes .

Mas o Carnaval de Veneza  teve sua origem no ano de 1094,  instituída pelo doge Vitale Falier, representante de uma das mais poderosas famílias da época. Sua proposta era que a população pudesse desfrutar de diversões públicas , jogos e brincadeiras antes da quaresma.

Em 1296, o senado veneziano decretou que o último dia antes da quaresma, houvesse a festa para a população, porém a festa já começava bem antes disso. A partir de dezembro os festejos já se iniciavam trazendo costumes, tradições, escolas e confrarias de “mascareri “ que já confeccionavam fantasias e as famosas máscaras venezianas, símbolo do carnaval de Veneza.

As máscaras eram um símbolo da liberdade e transgressão.  Escondiam classe social e identidade pessoal. Garantiam total anonimato e permitiam extravasar os desejos e fantasias que na época eram proibidas pelas rígidas leis morais e ordem impostas pela República de Veneza.

Mas o uso das máscaras também teve um efeito negativo e favoreceu roubos e abusos entre seus participantes e sendo necessário impor diversas proibições.

Com a queda da República de Veneza e a chegada de Napoleão em 1797 foi decretado fim do Carnaval de Veneza, exceto em festas particulares. Somente em 1979 um grande programa voltou a colocar o Carnaval de Veneza no calendário de eventos mundiais e desde então, foliões e turistas do mundo todo prestigiam a cidade e sua mais famosa festa.

Hoje em dia, as máscaras venezianas são perfeitas obras de arte e artesanato. Riquíssimas em detalhes e cores , estão espalhadas por toda a cidade durante todo ano para o deleite dos turistas.

Com trajes muito bem confeccionadas e maquiagens impecáveis, é possível admirar seus misteriosos e anônimos personagens que desfilam em silêncio por toda a cidade. Exibem seu glamour e seus olhares enigmáticos a todos que os contemplam e admiram.

Outros, bem mais divertidos e despojados , transformam o requinte e nobreza em uma divina comédia humana. Por si só, Veneza já é um convite para viajar ao passado, em conjunto com seu carnaval essa viagem se torna ainda mais espetacular.

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