Suzane Hammer
Suzane Hammer

Comidinhas da Armênia

11 de janeiro de 2020
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A Armênia é um pequeno país no sul do Cáucaso, vizinha da Turquia e da Geórgia. Acredita-se que foi essa a região de nascimento do vinho. O país foi conquistado pela Rússia durante o século XIX e desfrutou de uma breve independência de 1917 a 1920, antes de ser incorporado à URSS como República Socialista Soviética Armênia.

Pequena e ainda com resquícios da antiga União Soviética, carrega com ela uma herança bastante extensa. Desde a pré-história até sua independência, em 1991, existe muito o que se contar sobre a Armênia, que já teve um vasto território.

Tem um papel religioso muito importante na história da humanidade, sendo a primeira nação do mundo a adotar o Cristianismo como religião, no ano de 301 d.C, doze anos antes do Império Romano. Mas antes disso, segundo a Bíblia, Noé teria atracado a arca após o dilúvio no Monte Ararat, a montanha sagrada para os armênios.

Com toda essa bagagem histórica, a culinária da Armênia também recebeu grande influência de seus povos e outras culturas. Muitos restaurantes ainda oferecem pratos bem caseiros em ambientes familiares com decoração simples, mas muito simpática.

Com refeições bastante fartas, existe um prato que é indispensável na mesa armênia: o pão! Um muito famoso, e ainda feito de maneira bem tradicional, é o Lavash. Também conhecido como pão-folha, é feito com farinha de trigo sem levedura. A massa é moldada em pequenos círculos e esticada sobre uma almofada oval. Após esse processo, ela é colada nas paredes de um forno de barro, cavado no chão, chamado de Tonir.

Em poucos minutos o pão está assado. As melhores maneiras de degustá-lo é com uma pasta de queijo e ervas ou acompanhado de uma refeição. O Lavash também é usado em cerimônias ecumênicas da Igreja Apostólica Armênia. Tem um importante papel histórico e foi inscrito na lista representativa do Patrimônio cultural da Humanidade da Unesco, pela forma tradicional que ainda é feito.

Apesar de sua origem georgiana, o Kachapuri foi incluído na gastronomia armênia com um ingrediente extra: um ovo cru, que é acrescentado ao recheio de queijo. Esse prato, muito parecido com uma pizza, é feito com pequenas bolas de massa de farinha estendidas, e no seu interior é colocada uma porção de queijo. Por fim, tudo é fechado com a própria massa.

O Kiofté é mais conhecido por nos brasileiros como quibe, também faz parte da gastronomia armênia. O diferencial são os temperos incluídos na carne moída bovina refogada com cebola e nozes. Também conhecido por aqui, o homus é uma pasta feita com grão de bico, azeite, alho e molho tahine. Esse prato é um ótimo acompanhamento para as entradas.

Os Dolmas são os famosos charutinhos enrolados em folhas de uva e recheados de arroz , carne moída e legumes, são acompanhados de um molho azedo chamado Matsum.

 

A Armênia também é conhecida por fabricar o tradicional Brandy Ararat. Produzido desde 1887, o conhaque feito com uvas brancas já tem sua fama espalhada pelo Mundo como um dos melhores nesta categoria. Winston Churchill foi um dos mais famosos apreciadores dessa bebida.

Com safras envelhecidas por 3, 5, 10 ou até 20 anos, o conhaque faz parte da cultura armênia e está entre os melhores do mundo. Em 1900 o Brandy Ararat ganhou o Grande Prêmio, em Paris, e foi muito bem aceito pelos franceses que autorizaram os arménios a se referirem à bebida como “cognac”.

E não poderíamos deixar de citar o vinho armênio, também muito importante na história dessa nação. Segundo arqueólogos, na Armênia foi encontrada, o que poderia ser, a mais antiga vinícola do Mundo, com aproximadamente 6.000 anos de existência. No local haviam utensíios para prensar uvas, frascos para envasamento e até mesmo taças.

Segundo estudos, o vinho era muito utilizado em cerimônias fúnebres e segundo a bíblia, Noé teria construído, após o dilúvio, um altar e plantado uma vinha no Monte Ararat. Sendo assim, ele teria sido o pioneiro no cultivo de uvas na região.

E claro, um cafézinho para encerrar sempre é bem vindo. Mas assim como pelo Mundo afora, cada país ou cultura tem seu próprio método de preparar a mais famosa bebida do Mundo. O café armênio é preparado no fogão, em uma pequena panela de cobre ou metal chamada de “Jazve” com um longo cabo de madeira.

Segundo registros, o café foi trazido para a Arménia por mercadores romanos. Seu preparo é torrado e a moagem é bastante fina, não sendo necessário coar. No armênio, a palavra para café é “fuligem” ou, mais especificamente, “fagulha haykakan”, que significa literalmente “café armênio”. Bastante forte e concentrado, tem um sabor muito parecido com um expresso, podendo ser tomado com leite e adoçado . O diferencial é o pó que permanece no fundo da xícara.

Assim como na maior parte do Mundo, servir um café aos visitantes sempre faz parte da educação e cortesia dos anfitriões. Duas curiosidades: bastante difundida, a leitura da borra do café também faz parte da cultura armênia, seguindo uma tradição milenar do Oriente. A bebida também era usada como pedido de casamento para a família da noiva pelos pais do noivo. Se a família da moça aceitasse o pedido, o café era servido doce. No caso de recusa, ele era servido amargo. Pobre noivo.

A Armênia ainda consta como um destino bem tímido para a grande maioria dos turistas, mas com certeza, quem a incluir em seu roteiro de viagem, terá muitas surpresas e adquirirá um conhecimento fantástico de historia, cultura, costumes e muita comida.

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