Yngrid Corsini
Yngrid Corsini

Como reconhecer um brasileiro pelo mundo

21 de fevereiro de 2018
AcreAlagoasAmapáAmazonasBahiaCearáDistrito FederalEspírito SantoGoiásLugares Pela América do SulMaranhãoMato GrossoMato Grosso do SulMinas GeraisNós SomosParáParaíbaParanáPernambucoPiauíRio de JaneiroRio Grande do NorteRio Grande do SulRondôniaRoraimaSanta CatarinaSão PauloSergipeTocantins

Acho a cultura de uma nação uma coisa fascinante, digo, a maneira como cada grupo tem suas características. Há quem diga que o brasileiro é só uma mistura de muitas culturas e povos diferentes e que, ao contrário de outros lugares, não tem uma identidade definida. Olha, discordo em gênero, número e grau. Que o Brasil é uma miscigenação, uma verdadeira colcha de retalhos, isso  é verdade, porém acredito que nós temos peculiaridades e uma identidade tão nossa, que faz que com a gente sempre se reconheça em qualquer lugar do mundo.

Eu comecei a notar isso quando estava sentada em um bar em Berlim, quieta, observando o ambiente, concentrada na minha cerveja. Entretanto, percebi que alguns amigos jogavam sinuca, sem falar muito, cada um na sua vez, revezando entre a jogada e um gole de cerveja. Continuei olhando a mesa. Eles terminaram o jogo e logo chegou outro grupo de amigos. Eu não conseguia escutar o que as pessoas diziam de onde eu estava sentada, essa nova galera que chegou, já entrou dando gargalhadas, apontando um para o outro e rindo. Pareciam que falavam muito alto. Dois deles já começaram disputar, brincando para ver quem ficava com o melhor taco. Uma bagunça.

Era a mesma quantidade de pessoas que estava antes, mas era uma verdadeira bagunça, linda e engraçada de se ver, diga-se de passagem. Eu cutuquei meu amigo que estava comigo, fazendo também a observação antropológica: “Certeza que são brasileiros”, comentei e não pude aguentar. Levantei e fui ver. Quando ainda estava longe já comecei a escutar o bom e velho português. Já gritei de longe: “É brasileiro é gente boa”. Resultado? Fiz seis novos amigos.

Agora virou mania

Foi a partir desse dia, que sempre que estou fora do país, observo as pessoas tentando distinguir os conterrâneos. Todas as vezes eu acertei. Sinceramente, acredito que exista uma aura abstrata em nós, que não sei muito bem o que é, afinal também sou brasileira (com muito orgulho, com muito amor). Mesmo assim, consegui fazer uma lista com algumas características.

A primeira, e mais clara de todas, são as camisetas de time. Corinthians, Palmeiras, Flamengo, São Paulo. Ou mesmo da seleção. Essa nem era preciso citar, né? Embora isso revele algo tão pessoal, que não encontro em outros países, que é o orgulho de seu futebol.

Agora quando vejo as pessoas gargalhando ou felizes demais, falando alto e gesticulando, esse é o maior indício de brasileiros no radar. Italianos também falam alto e gesticulam, os nossos hermanos latinos também estão sempre rindo.  No entanto, o combo barulho + alegria + acenos, na maioria das vezes é gente da gente. É muito curioso de se ver, como temos um carisma, uma animação e um bom- humor que brilham e chamam a atenção.

Outra coisa interessante que notei é que estamos sempre atentos a tudo e a todos. Talvez por que somos turistas. Mas tenho a impressão que temos um olhar um pouco mais ligado, principalmente com relação às pessoas. Reparamos sempre os detalhes, estamos observando as ações, há sempre um olhar meticuloso e curioso. (Começo dizendo isso por mim, que escrevi esse texto justamente por gostar de observar). O que pode ser uma das explicações para a última característica.

E não sou só eu que observo

Bom, essa última observação não é minha.  Quando trabalhava em uma agência de turismo em Santiago, no Chile, saí um dia para acompanhar um dos vendedores para aprender mais sobre os destinos. Era um baiano que ficava na Plaza de Armas oferecendo passeios. Todavia, era muito seletivo nos seus clientes, só abordava brasileiros. Ele via seus alvos de longe e ia certeiro. Na hora perguntei como ele identificava e essa foi a resposta dele: “Nós nos vestimos bem, nos preocupamos com a roupa, se o sapato está combinando. O cabelo sempre com um bom corte e arrumado”. Nunca tinha reparado isso, mas é verdade. Como disse antes, o fato de observamos muito, talvez inconscientemente, faça a gente agir como se estivéssemos sempre sendo observados.

Segundo ele, os outros povos escolhem suas roupas de olhos fechados e se pegarem duas blusas, usam uma delas como calça e não se preocupam com o que vão pensar deles e que não sabem nem o que significa pentear o cabelo. Claro que isso é puro exagero. Contudo não podemos negar que, de fato, o brasileiro em geral é muito vaidoso.  

Se nenhuma dessas dicas funcionar, é só você se portar da forma que citei acima,  que alguém vai te identificar.  E se te olharem sorrindo, já grita perguntando: “Da onde você é?”. Com essa tática já conheci gente de Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e outras cidades que não lembro o nome. Afinal, brasileiros se reconhecem!

Foto: CharlesFred / VisualHunt

 

 

 

 

Leia Também
Comente com o Facebook
Deixe seu Comentário