Suzane Hammer
Suzane Hammer

Os Templos de Abu Simbel e o Festival do Sol

28 de janeiro de 2020
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Os templos de Abu Simbel situados no sul do Egito, perto da fronteira com o Sudão, em uma região denominada Núbia, são considerados as principais e mais extraordinárias obras do Faraó Ramsés II.

Os templos são uma autêntica maravilha arquitetônica do Egito Antigo. O complexo possui dois templos escavados em rocha de arenito, às margens do Lago Nasser, que é formado pelas águas represadas do Rio Nilo.

O principal templo e maior deles tem quatro estátuas gigantescas, com 20 metros de altura cada, do Faraó Ramsés II (1303-1213 a.C.), responsável por sua construção. O templo foi construído com tamanha precisão que durante os dias 22 de outubro e 22 de fevereiro (exatamente 61 dias antes e 61 dias depois do solstício de inverno), ao nascer do sol, os raios solares penetram até o santuário situado no fundo do templo e iluminam três das quatro estátuas sentadas: Rá, Amon, Ptah e o próprio Ramsés II. Apenas a escultura do deus Ptah, a divindade relacionada ao submundo, permanece no escuro.

Este fenômeno, que acontece duas vezes ao ano, recebe milhares de turistas, assim como habitantes locais que se dirigem para Abu Simbel para celebrar, dançar, cantar e assistir a esse espetáculo. Aproximadamente 5.000 a 6.000 pessoas se encontram no local aguardando o nascimento do sol. Mas, claro, poucos conseguirão realmente visualizar este fenômeno no interior do templo  devido a quantidade de pessoas e o espaço existente no interior.

A nossa curiosidade nos faz perguntar: porque exatamente nestas datas este fenômeno acontece? Quais estudos e cálculos foram necessários para que tal precisão acontecesse? Bem, esses são alguns dos milhares de mistérios que ainda hoje permanecem aguardando uma resposta.

Existe uma hipótese que Ramsés construiu o templo em Abu Simbel para que o sanctum sanctorum — ou a câmara interna — se iluminasse apenas duas vezes no ano, que seria dia 21 de fevereiro, aniversário de sua ascensão ao trono e em 21 de outubro, que seria seu aniversário.
21 ou 22? Pois é. O templo mudou de lugar!!!

Devido a construção de uma usina hidrelétrica, a área original dos templos seria inundada pelo Nilo fazendo com que o templo ficasse submergido . Com a ajuda da UNESCO  em 1959, foi realizada uma grande campanha internacional de doações e ajuda de especialistas para salvar os belíssimos templos de Abu Simbel. Estudos, cópias, pesquisas, 3.000 homens, 42 milhões de dólares e 5 anos foram necessários para desmontar e reconstruir, entre 1963 e 1968, todos os dois templos.

Blocos deaté 20 toneladas  foram movidos 64 metros acima e 200 metros distantes do templo original  procurando deixar cada parede, estátua, piso, como se fosse original e que produzisse o mesmo efeito do sol penetrando até o fundo do templo. Por esse motivo, hoje a celebração do Festival do Sol é comemorada com um dia de diferença do sua data original.

Infelizmente, muitas aldeias Núbias não tiveram a mesma sorte e estão submersas sob as águas do lago Nasser, que faz parte da Barragem de Aswan construída entre 1958 a 1970 para resolver o problema das secas no Egito. Foi necessário um planejamento cuidadoso para garantir que tudo estivesse perfeitamente alinhado para que o sol penetrasse pela entrada principal e iluminasse as divindades no fundo do santuario.

Mas aqui fica um conselho. Esse efeito do sol, não dura somente 2 dias ao ano. Organize sua visita para o dia seguinte, dia 23. Ainda será possivel ver o fenomeno e muitas poucas pessoas estarão presentes, dando assim oportunidade de entrar no templo para apreciar a entrada dos raios solares. A extraordinária beleza e grandeza dos templos do Sol é simplesmente fascinante.

O grande templo era dedicado ao deus Rá, embora , no santuário, estejam as presenças de outros deuses e do próprio Faraó Ramsess II. Na entrada, 4 gigantescas estátuas imponentes sentadas cada uma com uma altura de 20 metros, construídas por volta do ano 1284 a.C. No interior, pilares gigantescos dão as boas vindas a quem visita este espetacular templo, onde suas paredes estão forradas com desenhos e hieróglifos belíssimos e coloridos, que contam a história de seu faraó, família, povo, costumes e acontecimentos. O grande templo é considerado o mais bem preservado do Egito.


Em homenagem a sua esposa preferida, Nefertari, Ramsés II construiu ao lado do templo do Sol, aproximadamente 150 metros de distância, um templo menor mas não menos impressionante, e dedicado à deusa do amor e da Beleza, Hator personificada em Nefertari. Sua fachada, também imponente, está representada por 6 estátuas com 10 metros de altura cada, sendo que duas delas, uma de cada lado, são de Nefertari e a seu lado estátuas de Ramsés. Uma curiosidade: todas estão com a perna esquerda mais à frente como se estivessem prontas para marchar e com a inscrição “A grande esposa real Nefertari, aquela que faz resplandecer o sol”.

Ramsés II casou com Nefertari antes de suceder seu pai no trono e sempre a queria ao seu lado. De grande beleza, foi retratada em diversas obras realizadas por seu esposo, além de ter grande influência política e muito amada pelo povo.


O tempo passou e os templos ficaram esquecidos e enterrados na areia, até serem descobertos pelo suíço Jean-Louis Burckhardt, em 1813. O grande templo de Abu Simbel é considerado uma das mais grandiosas obras do faraó Ramsés II e, para muitos arqueólogos, é o maior e mais belo dos templos.

O Templo de Abu Simbel permanece na escuridão durante todo o ano, exceto quando vê o fluxo da luz solar natural em duas ocasiões em fevereiro e outubro. De todos os templos e monumentos que tive a oportunidade de visitar no Egito, Abu Simbel, com certeza, foi o mais impressionante e impactante. De beleza extraordinária, merece ser visto e revisto sempre que visitar o Egito.

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